2019, o Ano da Coragem de

Reflexão de um ano muito singular!

Quando o ano de 2019 iniciou, eu já tinha a ideia de que o tempo não se encerra em 365 dias.

Mas, é para mim importante, esta baliza que não nos permite afundar numa vida atemporal.

Assim ano a ano, no dia a dia, vamos vivendo sentimentos e pensamentos que porventura foram ou não a nossa realidade, mas que nos acompanharam sempre.

Este ano de 2019, para mim, começou em 2014 e dura há 5 anos.

No entanto, hoje, vou me focar apenas nestes últimos 365 dias que ainda assim me pareceram muito mais de 1000!

Neste ano, vivi coisas que se passaram há 2000 anos, há 500 anos, há 150 anos, há 40 anos, há 20 anos. Apenas tinha um pedido: a verdade de tudo!

A verdade que eu nunca quis ver, dura, nua e crua, que me dilacerava no inconsciente opaco e submerso da profundeza do meu ser.

Eu não tinha a noção do que estava a pedir – eu não sabia nada do que era a Verdade, pois talvez tivesse vivido uma vida de mentira.

Felizmente, fui preparada para permitir que o Amor seja em mim um jardim que floresce a todo o momento! E quando a Verdade foi chegando veio nos braços do Amor e veio, como sempre tudo vem, na hora certa!

Regressei no tempo recorrendo a mim mesma e às infinitas possibilidades que estão dentro de mim. Através de longas horas de silêncio, jejum e meditação!

Mas também recorri a conhecimentos testados e comprovados cientificamente como a Hipnose e a Regressão da Alma. Abri-me às Constelações Familiares. E aprofundei conhecimento sobre os meus Registos Akáshicos.

Entre terapias e práticas milenares como o Reiki, a alimentação Ayurvedic, o Som Tibetano, os desenhos de Alma fui serenando a minha energia conseguindo eleva-la a vibrações de Luz.

Criei um canal no YouTube – Universo 7 – onde iniciei a partilha de algum do conhecimento que tenho em mim e que me apaixona e por isso fui convidada a abandonar um Curso Profissional de Astrologia, onde a minha vibração energética não encontrou ressonância no ego inflamado de quem receia a Luz do outro. Ainda bem!

Iniciei logo a seguir outro de Astrologia Cármica onde fui recebida em Verdade com Amor. É um caminho para a vida!

E, sem baixar os braços à porta fechada, fui noutras terras bem mais evoluídas espiritualmente, encontrar professores mestres, de uma generosidade e humildade sem fim, que me ensinaram a milenar Astrologia Tradicional onde nunca uma sala de aula me permitiria o vasto conhecimento que adquiri.

Abracei a Fisica e a Mecânica Quantica, a Fitoenergética e o Coaching Espiritual dedicando centenas e centenas de horas de estudo, todos os dias, e a quem sou profunda e eternamente grata. A minha Vida elevou-se a outras dimensões!

Descobri o Ho’oponopono que pratico diariamente.

Levei para as dezenas de crianças e seus familiares, com quem trabalho diariamente, as minhas aprendizagens energéticas e espirituais e apliquei todos os meus conhecimentos para promover e elevar a sua felicidade, auto conhecimento e consciência. Sinto-me com o dever cumprido, ainda que este caminho tenha agora começado, mesmo que já conte com quase 20 anos.

Apaixonei-me pelo Tarot e os seus Arcanos, e dediquei-lhes tempo de estudo e prática. Entendi que nada está no nosso controle à excepção da vontade de agir!

Em Amor e Luz, falei todos os dias com os meus Anjos, Arcanjos e outros Seres de Luz presentes, tive Jesus e Maria sempre a meu lado e os meus Santos de Devoção! Confirmei a minha Fé!

Passei a ver e ouvir muito para além do evidente e palpável! E por essa benção agradeço!

Fiz Retiros onde me encontrei com o silêncio e a contemplação, passeei sempre pela natureza e conheci pessoas incríveis.

Descobri a maravilhosa energia dos cristais e nela alinhei e harmonizei o meu desalinho.

Tive o privilégio de conduzir a minha família ao meu local de encontro profundo, Dornes onde se banharam nas águas do Zêzere, centro geo energético de Portugal.

Fiz as Pazes com o Santuário de Fátima e escolhi render-me ao Amor da minha mãe!

Fiz a Queima de Karma num ritual mágico e literalmente queimei todo o meu passado de dor, mágoa e expectativa num fogo alto e vivo que transmutou tudo em Amor Incondicional e Aprendizagem! Passei a aprender e a praticar magia!

Passei a abraçar muito mais … os meus filhos amados que beijo e abraço a toda a hora (mesmo quando não querem), as minhas crianças com quem trabalho diariamente, as plantas, os animais, as pessoas que me chegam … num abraço dou e recebo muita Luz e nada se compara a esta troca simples e honesta!

Mergulhei nas águas dos rios e dos mares lavando a minha Alma. Deixei-me banhar por todas as Luas Cheias para que me trouxessem verdade e clareza. Nas Luas Novas agradeci e manifestei. E entreguei ao Divino e ao Universo tudo o resto!

Fiquei exausta. Fiquei doente. Perdi a minha identidade. Vi o meu rosto transfigurar-se de dor e mágoa. Fiquei triste, muito triste. Fiquei dilacerada de dor.

Descobri segredos escabrosos e mentiras perpetuadas por tempo demais. Traições impensáveis. A tudo e a todos escolhi abraça-los unindo-os às minhas sombras e tentando sentir amor sem julgar e muito menos cobrar.

Reconheci os meus erros, demasiados, falhas de ingratidão, descasos inaceitáveis, egoísmos desnecessários e narcisismos idiotas, erros atrás de erros por não saber fazer de outra forma até decidir que não mais me servem, que não mais os quero. Humildemente, peço perdão a quem falhei e acima de tudo peço-me perdão por só agora ver que estava errada. Completamente errada.

Não houve um único dia que não sorrisse. E todos, todos os dias agradeci o privilégio de ver os meus pedidos atendidos. Estar viva para em Amor e Luz seguir o meu caminho!

Muita coisa ficou pelo caminho. Muitas pessoas. Muitas histórias. As possíveis e as impossíveis, ainda que sonhadas com tanta alegria e paixão!

Reformulei e reinventei-me vezes suficientes para já ter vivido 7 Vidas … tenho a certeza de que está tudo a começar!

Não sei bem como o vou fazer … há coisas de que já não me lembro … um olhar, um sorriso, um carinho, um beijo!

Mas começo por me lembrar deste diálogo entre Sombra e Luz … escrito pela Vera Luz … que me lembra o início deste ano que acaba:

“A sombra diz:

– As pessoas estão cada vez mais frias. Os meus pais não são o colo que precisava, a minha relação não me preenche e os meus filhos não me ligam nenhuma. Sinto-me cada vez mais desamparada e sozinha!

A Luz responde:

– Tanta expectativa, dependência e ilusão no que toca ao verdadeiro papel dos outros na tua vida. Descobre o poder de não precisares de ninguém, de gostares de ter tempo para ti, de cuidares das tuas próprias feridas, de te amares e teres prazer na tua companhia, das mais variadas maneiras. Aos poucos irás descobrir um maravilhoso e imenso poder, liberdade e amor próprio que se escondem dentro de ti.”

Esta foi a minha grande conquista em 2019, com Coragem descobri-me em Amor!

Que 2020 seja o ano em que apenas me entregue ao Amor ❤️

Dor ou Amor

RENASCER AOS 18 ANOS

18 ANOS COLOR

Quando me sentei a escrever estas linhas dei-me conta que mais de vinte anos tinham voado sobre a minha vida e que nunca, em tempo algum, havia refeito aquela noite, aqueles dias. A catarse chegava de enxurrada lavando a alma com as lágrimas que escorriam livres, soltas pelo rosto. Estava pronta. A cores, com duas mãos, olhava aquelas imagens dum tempo que não mais voltou.

Tinha feito dezoito anos e achava-me invencível.

Entrara directo na faculdade para um pouco ambicioso curso de relações internacionais que me dava a conhecer um universo alargado de pessoas, hábitos, costumes, regras e contra-regras, que no colégio católico feminino me tinha sido vendado. A redoma daquela casa colegial, soube-o anos mais tarde, seria a minha salvação. Os valores foram-me transmitidos, no dia a dia, através daquela gente que me exigia muito, mas me queria tão bem.

Era o início de uma noite estrelada e fria que se queria longa, véspera de 1 de Dezembro, feriado da Restauração da Independência. O início começava tarde, muito tarde, e ria-me feliz com amigos de ocasião que faziam amizades como o vento, ora fortes e esperadas, ora brisas suaves de um dia agradável. Nada consistente. Nada perene.
Tropecei, caí. Assim, do nada, no chão frio. Não mais me levantei. Não mais consegui falar. Sequer pensar. Em urgência, de lenço branco de fora, fui carregada em braços a toda a bolina, numa viagem sem fim, até àquelas luzes brancas que me haviam de não largar, por muito tempo.

Nada de grave, diagnosticaram. Excessos, talvez alguma droga. É aguardar o tempo. Logo passa. Não passou. Passaram as horas e o desespero vinha varrendo tudo à sua volta, como uma tempestade que se faz anunciar ante um vendaval, um ciclone, um tornado. Telefonemas. Zanga. Raiva. Medo. Ninguém sabia de nada. Nem o que sentir. O relógio compassava o coração apertado. O pânico começava a notar-se. Eu apagava-me a cada instante.

A agitação tomou conta da minha mãe, pouco paciente, exigia respostas que tardavam. Era evidente o desconhecimento. Ela conhecia-me. “É a minha filha, eu sei que não está bem”. Soube-o, desde logo. Passava-se algo grave. Muito grave. Ela sabia-o. ela sentia-o.
Após sete horas de uma espera infernal, entrei em coma durante longos e serenos treze dias. Então soube-se. Bastou que me observassem com sabedoria.
Um erro. Crasso. Acontece.

O desespero dos dias que passaram incertos, não o soube, não o senti. Talvez tenham pedido que Ele me levasse. Ou rezado infinitamente por mais um sopro de vida. Não o sei.
Acordei. Não falava. Falava, sim. Não me entendiam. Não andava. Não me mexia. Não entendia. Não choravam. Traziam os olhos vermelhos mal disfarçados.

Se eu percebia, não. Não percebia nada. Tinha sido um aneurisma profundo que me atingira o lado esquerdo do cérebro e me paralisara totalmente o lado direito. Algo congénito. Talvez. Percebe?

Sim, acho que percebia. Tinha sede. Sede. Não compreendiam. Tinha fome. Queria … pois, não valia a pena. Que não me preocupasse. Que passava. Paciência. Calma. Eu já tinha percebido.

E, agora, quando fico boa? Quando posso ir embora? Estava farta! Não. Em breve. Não ia ficar boa. E, em breve, iria embora, para casa, com aquilo. Depois ver-se-ia. Como assim?

Devem estar enganados, pensei. Só podem estar enganados. Mas eu estava tão bem. Não sabem o que dizem. Mas sabiam. Bem, apenas em parte!

Passaram-se mais de vinte anos. A hemiparesia total direita permanece (mas falo, falo por sete cotovelos), dizem que a massa neurológica responsável pela coordenação motora se foi. Do mal o menos. Havia solução! Uma cirurgia inovadora do outro lado do mundo, na terra do Tango de Gardel, encerraria este capítulo e, depois, anos a fio de intensa fisioterapia, provaram-no. Se assim era, assim seria.

Renascia e, por isso, haveria de agradecer, mais tarde.

Flexibilidade

Sobre escolhas. Flexibilizar!

“- É pecado sonhar?

– Não, Capitu. Nunca foi.

– Então porque essa divindade nos dá golpes fortes de realidade e parte nosso sonhos?

– Divindade não destrói sonhos, Capitu. Somos nós que ficamos esperando, ao invés de fazer acontecer.”

Excerto do livro Dom Casmurro de Machado de Assis. 

Escolher é optar sabendo das prováveis consequências de deixar para trás algo que se preteriu. Não escolher é não ser nada. É deixar que os outros escolham por nós.
Eu prefiro sempre escolher. Por vezes não me agrada. Sei até que nem sempre estou certa.

Mas as escolhas impõe-se.

Tenho intrínseca em mim a necessidade de participar na minha vida. E é preciso andar para à frente com ela. Por isso, preciso fazer escolhas! E ser flexível! De não ser dura comigo.

Há quem me pergunte o que busco? Se dou conta do recado? Porque complico? Porque não reduzo tudo ao que simplesmente é? Porquê a mudança? Porquê o sonho? E quem fica? E depois? Eu respondo … porque sou assim, gosto de desafios, sou de excessos, tenho metas a cumprir.

Gosto de expectativas. Gosto de ser história para contar. Gosto de ir mais longe. Gosto de mim, preciso de me recriar.

Estou a envelhecer. Estou chata de morrer, não me sou suficiente. Quero ser exemplo para os meus filhos. Sinto-me capaz de tudo. Não desisto, agora tenho uma vida a nascer. E, se estas não forem as respostas esperadas, paciência.

Olhem-me de lado, falem nas minhas costas, cobicem o alheio.

Mas a mim, deixem-me ser feliz!

Hoje não acordei cedo. Hoje a insônia não quis nada comigo. Hoje dormi a sono solto. Hoje acordei com remelas e marcas no rosto. Babada até. Dormi o sono dos justos. Acordei com a preguiça de quem dorme demais e não se farta de estar deitado. Ando tão cansada dos desdobramentos semanais entre ser a mãe, a mulher, a empresária, a amiga, a blogger, a sonhadora, a contabilista, a dona de casa, a negociadora, a escrevinhadora, enfim, em ser eu. De escolher que assim seja.

Sinto-me um Origami humano que se faz e desfaz em múltiplas formas, mas sempre eu. E, desta vez, ainda que escolhas vá ter que fazer, vou ser flexível comigo. Vou pegar leve!

Lembrei-me do dia em que decidi realizar a empreitada de realizar um sonho, e de como, de pronto, comprei uma viagem de ida (sem volta) num navio que me levaria ao Brasil, fi-lo sem hesitações.

Enchi o peito de ar, digitei códigos de números infinitos, preenchi formulários, aprovei bagagem, escolhi o camarote e a hora de jantar.

Fiz uma escolha.

Não sabia bem no que me estava a meter, mas sabia que o primeiro passo estava dado! Guardei para mim esta decisão e segui caminhando de sorriso rasgado no rosto!

No dia seguinte, quando parei para pensar no restante (que era quase tudo!) dei-me conta da minha escolha e que, embora o pudesse fazer, não havia volta atrás e agora é que tudo ia acontecer!

Fazer acontecer por nossa conta envolve vários riscos, mas dá um gozo supremo. O estado de graça caiu em mim e sinto-me apaixonada porque paixão é viver intensamente e a minha vida está uma roda viva!

Agora, por estes dias, sei que vou ter de fazer escolhas. Difíceis. Mas flexíveis também. Para mim. Vou deixar a vida me levar.

Aos outros, ao que vão achar, bem, ainda não lhes perguntei.

Se pesa … Larga!

Mares nunca antes navegados por mim

Iniciava, há quatro anos, uma audácia, chamada de aventura por uns, de loucura por outros. Por mares nunca antes navegados por mim. Não sabia bem o que ali estava a fazer.

Era o primeiro dia de nove que tenho pela frente.

Acordei tarde apesar de ter dormido horas e horas com as cortinas abertas e o sol a brilhar no céu e o oceano a entrar pelo quarto dentro inundando tudo de luz. Descansava como já não me lembrava de ser possível.

Senti-me verdadeiramente privilegiada!

Já passava da dez e já não ia a tempo de tomar o farto pequeno almoço que era servido no restaurante Miramar, mas não me importei. Tudo era novidade e eu queria calma. Queria sentir aquele momento com toda a sua plenitude pois era a primeira vez que o vivia. Estava verdadeiramente sozinha. Eu que sempre vivera rodeada de todos. Ali, dormir com o mar a embalar-me deu-me uma sensação de torpor difícil de largar. Espreitei o mar pela décima oitava vez (ou décima nona!!!) e decidi levantar-me.

Literalmente percebi o que era preguiçar e senti-me bem.

Levantei-me com hesitação. Podia se quisesse ficar ali. Não senti logo o balanço, mas ao abrir a porta da casa de banho, que era bem simpática, percebi que não se segurava sozinha. Tomei duche numa cabine pequena, mas não tão pequena quanto seria de esperar, onde a água jorrava com força e nunca era fria mesmo que a quisesse assim. Imaginava quanto litros de água carregaria aquele navio e, pelo sim, pelo não, economizei-a mais do que seria de esperar. Consciência da minha condição. Não sabia bem o que ali estava a fazer, mas sabia que muito me pesava.

Comecei os preparativos, e sim, tudo num navio são preparativos, mesmo quando não estamos preparados, assim, e como já me haviam dito que o sol em mar alto queima muito mais que numa praia ou piscina, devido ao reflexo massivo nas águas do oceano, a gosto, enchi-me de protetor solar dos pés à cabeça.

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Reparei, entretanto, que me haviam colocado debaixo da porta o diário de bordo, e assim foi todos os dias. Dei-lhe uma vista de olhos e percebi que iniciaríamos o retroceder das horas já na noite deste dia. Viríamos a atrasar quatro horas o que se revelou confuso para toda a viagem. Mas para já o dia estava a começar.

Depois, como era dia de reconhecimento a bordo vesti-me como se em Capri estivesse (onde aliás nunca estive, mas suponho que assim seja!) vestido azul longo, agasalho de algodão fino branco, imaculadamente branco, chapéu, óculos, um livro e câmara para os instantes e partilhas. Considerei-me pronta!

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Preparando-me sabia que o sol em mar alto queimava muito mais que numa praia ou piscina, devido ao reflexo massivo nas águas do oceano, e, como tanto gosto, enchi-me de protetor solar dos pés à cabeça. Coloquei um chapéu, óculos, biquini e fui até piscina.

Ou onde tudo acontecia! E aconteceu!

Subi ao deck 10, o deck exterior mesmo por cima do corredor da minha cabine, onde funcionava o restaurante Panorama. Aberto desde cedo até meio da tarde. Um self-service completo que atendia a todos os gostos e necessidades, desde um improvisado pequeno-almoço, como foi o meu caso, até um almoço tardio que variava entre comida italiana, chinesa e mediterrânea.

Sentia uma sensação de desequilíbrio, de tontura, que me tirava o apetite. Para contrariar a sensação de tontura fui petiscar algo, uns minis – croissantes, sumo de laranja, compotas, queijo e fiambre, doces, café. O suficiente para desenjoar.

O balanço do barco deixava-me nervosa. E isso é algo a que não estou habituada! Não sabia bem o que ali estava a fazer, mas sabia que muito me pesava e já não mais me servia.

Não me senti mal, mas percebi imediatamente que não controlava o meu equilíbrio que de si já é desequilibrado e isso deixava-me insegura. Mas penso que só mesmo a mim, porque ninguém notava soube-o depois.

Eram mares nunca antes navegados por mim.

Não me sentia mal, mas percebia que não controlova o meu equilíbrio que já de si era desequilibrado e isso deixava-me insegura. Caminhava com cautela e devagar.

Observava. Percebia que havia gente sozinha como eu. Mulheres e homens de todas as idades.Que havia famílias. Que havia grupos de jovens em grupos alternativos e menos jovens. Também casais maduros. Havia muita gente a bordo. Soube mais tarde cerca de seiscentas passageiros. A capacidade máxima do navio era de dois mil. Mais tripulação. Uns, como eu, que fazem a travessia pela primeira vez, e outros que já só chegam ao Brasil ou à Europa desta forma.

MARES NUNCA ANTES NAVEGADOS

Depois de um primeiro passeio, decidi apanhar sol. Sozinha, o sol queimava quente e alto. Deitada em espreguiçadeiras dispostas junto à popa, sentia-me verdadeiramente entregue a mim a mesma. Relaxava numa dimensão de entrega que não me era usual. Desfolhava um livro. Leio. Ler aliás é a minha preferência porque tenho tempo e ninguém, rigorosamente ninguém, me interrompe. Lia com voracidade como se o meu tempo fosse acabar. Mas não acabou.

Ali tinha todo o tempo do mundo para mim. São muitas novidades, um dia sabidas, até ali esquecidas. Não sabia bem o que ali estava a fazer, mas sabia que muito me pesava e já não mais me servia.

Agora por mares nunca antes navegados por mim.

Meu amor, era de noite

Trouxe comigo cinco romances, dois portugueses, dois brasileiros e um chileno. Comecei por um romance de Vasco Graça Moura É de noite, meu amor que me acompanharia por três longos dias. A leitura do enredo e o final prenunciador viria a revelar-se demasiado óbvio.

Na verdade, a própria vida é tão óbvia que compreenderia que assim estava destinado a ser. Foi também meu caderno de rascunho como todos os papéis que apanhei pela frente, na tentativa de reter uma ideia, um vislumbre.

Não sabia bem o que ali estava a fazer, mas sabia que muito me pesava e já não mais me servia. E larguei …

O que necessitas para EVOLUIR?

Viver o Hoje e o Agora (Hoje é o meu dia preferido)

Nunca a vida foi tão actual como hoje: por um triz é o futuro.

Tempo para mim significa a desagregação da matéria. O apodrecimento do que é orgânico como se o tempo tivesse como um verme dentro de um fruto e fosse roubando a este fruto toda a sua polpa.

O tempo não existe.

O que chamamos de tempo é o movimento de evolução das coisas, mas o tempo em si não existe. Ou existe imutável e nele nos transladamos.

O tempo passa depressa demais e a vida é tão curta. Então — para que eu não seja engolido pela voracidade das horas e pelas novidades que fazem o tempo passar depressa — eu cultivo um certo tédio. Degusto assim cada detestável minuto. E cultivo também o vazio silêncio da eternidade da espécie.

Quero viver muitos minutos num só minuto. Quero me multiplicar para poder abranger até áreas desérticas que dão a ideia de imobilidade eterna.

Na eternidade não existe o tempo. Noite e dia são contrários porque são o tempo e o tempo não se divide.

De agora em diante o tempo vai ser sempre atual.

Hoje é hoje.

Espanto-me ao mesmo tempo desconfiado por tanto me ser dado. E amanhã eu vou ter de novo um hoje. Há algo de dor e pungência em viver o hoje.

O paroxismo da mais fina e extrema nota de violino insistente. Mas há o hábito e o hábito anestesia.

Clarice Lispector, in ‘Um Sopro de Vida’

Lembrei-me de um livro que li em 2008. Passaram-se 11 anos. Foi um ano difícil na minha vida. Tinha dois filhos lindos que amava como à própria vida. Tinha saúde. Tinha trabalho. Mas não tinha alegria. Não me sentia amada. Não me sentia compreendida. E acima de tudo, sentia-me só.

Via a Oprah diariamente (sempre me senti próxima daquela cultura televisiva americana, a vida é um show!) e conheci a Liz Gilbert, a sua história contada sobre os vários episódios da sua vida, e corri a comprar o livro. Os seus dramas eram os meus. Também eu chorava até às entranhas, sufocada, no chão frio da casa de banho. Também eu me sentia vazia. Também eu queria fugir da minha vida, tão imensa de sonhos, e tão mesquinha de realidade. Que ingrata!

Bebi sofregamente cada palavra fácil de uma história simples quanto transformadora. Eu ia fazer como ela. Eu ia partir. E inspirada renovei todas as forças que necessitava para dar a volta à minha vida. E se eu achava que sabia alguma coisa. Mal eu sabia o que estava para vir..

Mas HOJE é realidade e HOJE eu sigo. E sigo porque vou inspirar outras (e outros) a viverem a sua vida livres e verdadeiros nos seus propósitos. É a minha EVOLUÇÃO!

Não largo tudo. Tudo permanece. Todos me aguardam. Sigo livre. Com o orgulho dos meus filhos. E admiração dos meus. Sigo porque eles, que também sou eu, sabem que necessito de ir para respirar. Para ser. E sigo porque só solta lhes posso pertencer. É a minha EVOLUÇÃO!

Encerro na partida a minha essência. Sigo em frente com a certeza de regressar sempre aos meus. E vou voltar a partir. E vou ser mais eu mesma.

Helena

Como te defines?

Procuro por mim desde que me sei por gente. Têm sido muitos os desencontros. De mim para mim. Pois que sei que apenas de nós sabemos. E mal. Sobre mim sei um pouco. Não muito. Mas busco-me a toda a hora. Pergunto-me: Sabes quem és?

Sim, claro. Sou mulher, filha do pai e filha da mãe. Sou pequena de pé delicado. Arisca. Com mau feitio. Mas doce também. Sei que amo. E por vezes odeio. Não sou morna. Sou respondona. Não levo desaforo para casa. Rude quando calha. Mas esta é apenas uma ínfima parte do que sou. Sabes quem és?

Sou quem sou. Sou quem está. Sou quem foi. Sou quem insiste. Sou quem despreza. Sou ela. Sou ele. Sou os meus. Sou os deles. Sou para ti. Sou de ninguém. Sou minha. E tua. Mas se sei?

Sabes quem és?

Quem sou? Tenho uma leve ideia. Não vim com instruções. Se vim, deitei-as fora. Achei ontem que era assim. Hoje acho que afinal. Amanhã, que sei eu. Não é fácil ser eu. E, por isso, porque me dou trabalho. Porque me exausto. Porque me canso de mim mesma. Procuro-me. Sim. Nos livros. Nos filmes. Nas canções. No silêncio. No samba. Na choro do cavaquinho. Na bateria que ruge furiosa. Que grita.

Quem és tu? Sabes quem és?

Sei. Sei sim. E quando não souber, pergunto-me. Porque não desisto. De mim. Porque mesmo quando não me gosto, perdoo-me. Não sem antes reclamar, resmungar, cobrar. Que eu não sou fácil comigo mesma. Mas é comigo que conto. Mesmo fraca, mesmo débil, mesmo desfeita. Tantas vezes. Demasiadas. Tantas vezes. E, sabe, rapariga, fica a saber … que isto que aqui temos feito, nesta vida, neste caminho, tem sido muito mais do que alguma vez esperaste (se calhar, sempre o soubeste.).

Nem sempre sei quem sou. Que sou muitas dentro de mim. Mas sou sempre eu. E esta é a única que quero saber quem é.

Helena

Experiências

Eu, muitas!

Hoje trago-vos um ano excepcional … que já vivi vários! 2015 …

E pergunto-te, o que tens feito por ti?

SOBRE O EXCEPCIONAL ANO DE 2015

Rumo 2015

Eu sempre fui ligada a datas, embora com os anos e a falta de as festejar, me tenha indo, pouco a pouco, desligando da sua importância.

O ano de dois mil e quinze está a acabar. Dentro de horas damos inicio a dois mil e dezasseis. Pensando bem, eu sou mesmo de datas. Sou de crenças. Sou de superstições. Sou de intuições. Sou de destinos traçados. Definitivamente, não sou de acasos. E sou do Agora também!

E 2015 foi tudo isso e muito mais, foi o ano de viver o Presente e o Presente é Agora! Foi um ano excepcional, foi o ano em que me voltei a apaixonar!

1ºjaneiro 2015

Este ano fiz pela primeira vez muitas coisas, o que já queria ter feito, o que me decidi a fazer e o que jamais imaginaria ter feito. Fazer, fazendo acontecer foi o lema deste ano!

Logo no primeiro de Janeiro, a minha vida começou a mudar. Tinha acordado disposta a ser feliz, custasse o que custasse. Mas à minha volta a inércia tomava conta de quem não tinha pressa de viver. Eu tinha necessidade de ar, de sol, de liberdade.

Saí de casa, lá no Campo Vinte e Quatro de Agosto, quase no coração do burgo, sozinha, para andar por esta minha cidade que amo e que me deu tanto, desde sempre, acima de tudo, a força da minha identidade. Conheço-lhe as ruas que sobem e descem, as pedras brancas e escuras dos seus passeios, o granito frio e austero das casas de azulejos coloridos, as gentes de pêlo na benta e letra na língua, os tolos que a vagueiam, os turistas que a invadem. Fui e cheguei onde sempre dou, à Torre dos Clérigos, que me acompanha desde miúda, desde quando me queria refugiar e pensar na vida. Os anos passaram mas a miúda ainda cá anda. Já lá não estou só. Os chineses, os franceses, os italianos também querem o melhor angulo da minha bela fortaleza, da minha invicta. Quedei-me a olhar. Só a olhar. Porque a vida que faz pensar, tinha, por esta altura, decisões a tomar e tomou-as. Não havia mais que pensar.

Carnaval 2015

Veio Fevereiro e o Carnaval, pela primeira vez, festejei exactamente como sei e gosto … A sambar, a rir e a brincar!

1ºjogo FCP António 2015

Em Março, o meu filho António fez nove anos, e fui pela primeira ao Estádio do Dragão, ver jogar o Futebol Clube do Porto – Bayern de Munique. Ganhou o Porto 3-1. Uma alegria!

FMG

Em Abril, comprei a minha primeira passagem de navio para a travessia atlântica.

Decisões Abril 2015

Da ideia do sonho à necessidade do acto de realizar.

Em Maio, a sete, comprei o meu segundo carro sem opiniões nem considerações. Pela primeira vez!

E, a catorze, pela primeira vez, fui de avião, sozinha (dá para acreditar?), a Lisboa, para sozinha, ver o meu querido Roberto Carlos.

Eu e Maria Bethânia maio 2015

E a vinte e cinco, via, mais uma vez, a diva em palco Maria Bethânia e para minha felicidade, pela primeira vez, abracei-a e partilhei momentos de intensa espiritualidade. Agradecia cada segundo de vida!

Mudança Eu

Em Junho e Julho, e não, não era a primeira vez, confirmava que há pessoas que nunca mudarão, aconteça o que acontecer. E que quem tem de mudar sou eu!

E mudei! Preparava a todo o vapor a minha viagem ao Brasil e começava a desenhar-se a ideia do blogue. E a ideia era falar de mim, da minha vida, da superação de obstáculos, da realização de sonhos e da vontade de se ser exactamente aquilo que se quer ser! No meu caso, a viajar!

Prep Blog I

Lá trás, como agora, sobre o que acho da opinião dos outros, é mais ou menos isto, em forma de legenda vinda do passado:

Não estou nem aí para as vossas considerações!

Não me digas que não, porque o caldo fica entornado!

Não era para fazer aqui, não? Pois, agora já está feito!

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Em simultâneo, vivia intensamente o verão das minhas crianças, com quem trabalho e a quem dedico o meu tempo há quase quinze anos, são umas e outras que crescem e vão e vêm. Aqui, numa aula de capoeira que experimentei pela primeira vez!

Parceiras

A meu lado, sempre, a minha mãe, incansável, e as minhas parceiras de luta diária, leais e dedicadas. A elas, agradeço-lhes tudo o que me permitiram viver! Obrigada Al e El!

41º 2015

Depois veio Agosto, o meu mês, quarenta e um anos, e o mundo para descobrir com os meus, sempre mais que tudo, rapazes da minha vida!

Arroz com Feijão 2015

E horas e horas, dias atrás de dias, todo o mês, a escrever, a digitalizar, a editar, a refazer, a desfazer, a chorar, a rir, a pensar, a prever, a saber. O Blogue era já uma realidade … começou por ser Arroz com Feijão

Anos Kiko 16

Em Setembro, estava em estado de graça, o meu filho Francisco fazia dezasseis anos, e eu agradecia tudo o que tinha conquistado nesta vida!

Os meus filhos que são extraordinários (e chatos como só eles sabem ser!) e eu, que questionava tudo o que era e estaria para ser, e tudo isso já eu sabia que estava destinado a ser assim!

Não era bom, nem mau, era apenas a vida a se revelar!

Sessão Helena das Viagens_Isabel Saldanha Photography_09

Em Outubro, cumpri uma vontade antiga, fiz uma sessão fotográfica com a fotógrafa mais curtida que poderia ter escolhido … que foi inteira e captou instantes, tradução de mim!

O blogue passava a chamar-se viagensdahelena.com.

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A vinte e cinco de Outubro partia para Lisboa. Deixava as minha certezas guardadas no coração. As dúvidas viria a esclarece-las ao longo de toda esta jornada.

Las Palmas 2015

E a vinte e oito embarcava em Las Palmas na grande aventura da minha vida!

Travessia 2015

Ia atravessar o Atlântico de navio para chegar ao Brasil. Não cabia em mim de orgulho!

Aprendi a estar sozinha e a gostar muito, muito mais do que eu pensava. Porque na verdade nunca estive sozinha mas com todos aqueles a quem me dispus conhecer, conversar, rir, viver.

Felicidade 2015

A felicidade era em mim um estado permanente. Era branca e brilhava como os brilhantes falsos dos meus brincos, mas como alguém me dizia “não é por isso que deixam de brilhar”!

Brasil 2015

E em Novembro, chegava ao Brasil! O meu sonho era agora realidade e aqui contaria tudo o que vi e vivi!

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E em Novembro, voltei ao Porto. E nunca mais, nada do que era, do que tinha sido, voltaria a ser. Assim creio. E aceito.

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Em Dezembro, mês da renovação, mês da luz, eu que sou de datas, vivi o Natal certa da renovação porque passo. Eu que sou de datas agradeço estes trezentos e sessenta e cinco dias cheios de sonhos realizados de vida vivida.

Eu que sou de crenças, que sou de superstições, que sou de intuições, que sou de destinos traçados, sei que o meu caminho ainda agora começou. Porque caminho numa nova direção que me levará ao melhor de mim.

Eu, que definitivamente não sou de acasos, sei o que está escrito, porque a minha vida quem a escreve sou Eu. Eu que me voltei a apaixonar. Por mim!

Daqui a vinte anos …

VOAR VOANDO

“Quando voei de Asa Delta, pela primeira vez,

descobri porque cantam os passarinhos”

disse-me Miguel, o simpático taxista que comigo passeou.

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Voar 3
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Renascia e, por isso, haveria de agradecer, mais tarde.

Era uma segunda de manhã cedo, o Voo de Asa Delta estava marcado há uns dias, mas a Mariana mandou um WhatsApp a dizer que a previsão meteorológica tinha errado e a nossa hora, as onze, tinha de ser adiada. As nuvens estavam cerradas e muito baixas em São Conrado, praia onde pousaríamos, por isso adiámos para mais tarde. Mas o que tem de ser é!

O Miguel apanhou-me na Riachuelo, no Hotel Vila Galé, seguimos para a Avenida Atlântica e daí fizemos toda a orla passando por Copacabana, Arpoador, Ipanema, Leblon, Favela do Vidigal, Niemeyer e São Conrado para subirmos já com Renato Janssens, o meu instrutor de Asa Delta, toda a estrada pela Floresta da Tijuca que nos levaria à Pedra Bonita. O nosso ponto de partida!

Assim que chegamos vários ajudantes montavam o Asa Delta e o Renato ia dando-me instruções, nomeadamente de correr, algo que não faço, eu não corro. Mas corri. Tive que correr.

Vesti o colete, apertei os cintos, engatei os ganchos e respirei fundo. Entreguei a minha vida aos céus e a Renato que era quem me levava.

– Pronta Maria? Agora não dá mais para voltar atrás!

E eu corri. E o Renato correu. E nós voamos.

Voar o Rio de Janeiro foi …

Não tenho palavras para a sensação de voar sobre o Rio de Janeiro, resta-me agradecer, agradecer, agradecer pela vida que me foi dada, pelo que escolhi fazer dela e, por este, renascimento.

Largar

Eu sou desapegada. Desapegada porque não me preenche a posse das coisas, a posse das pessoas. Acho até confuso, por vezes, o quanto amo desapegadamente. Para o caso, afirmo que o meu desapego é generalizado. Não tenho uns brincos de sempre. Não tenho um casaco de sempre. Não tenho uma casa de sempre. Não tenho um livro de sempre. Não tenho um amigo de sempre. Nem a mim me tenho de sempre. Acho que tenho desapego de ter. E, por isso, o desapego. E estranhamente, estranho ser assim.

Claro que, se de Ser falar, já me apego. Que o apego de ser não me dá para o desapego de ter.

Há muitos anos que aprendi a soltar as coisas. Por força das circunstâncias, também das pessoas me fui soltando. A início era questão de ter, do desapego de ter para mim as coisas e as pessoas. E chegou um momento, recentemente, que constatei que só de mim me não podia desapegar, e tantas vezes mo apetecia fazer … é que me canso. De mim. Mas não posso. De mim, não me posso largar. É que não se trata de despego de ter, mas de ser, e por ser tenho apego.

DESAPEGO DE TER

Hoje, exactamente antes destas palavras que escrevo, por busca de mais e mais qualquer coisa que me acrescente, encontrei um blog. Chama-se Escolha a sua Vida. É o blog de uma coach brasileira (os caminhos levam-me sempre para a mesma estrada, o Brasil), Paula Abreu, que não conhecia. Passeei pelo seu conteúdo. Espectacular! Muito motivador, positivo e assertivo. Como eu gosto! Identifiquei-me, portanto! Continuei em género de scrolldown até chegar ao fim da página e encontrar o texto mais genial que li nos últimos tempos. Dizia assim …

Uncopyright – Todo o meu conteúdo deste site está no domínio público. Abro mão de quaisquer direitos de uso sobre meu trabalho. Se você quiser usar meu conteúdo, não se preocupe em me escrever pedindo permissão. Aqui está ela: use como quiser, mande para os amigos, imprima e cole por aí, copie no seu blog ou site à vontade. Se puder colocar os créditos e link para o meu site, fico agradecida. Mas não exijo isso. Meu objetivo é transmitir estas mensagens para o maior número de leitores possível, então, estou desapegando – dentre tantas outras coisas – dos meus direitos.

Este pequeno texto é genial. É genial porque é a escolha da vida que a Paula Abreu fez. Partilhar. Sem ter direitos. Sem ter posse. Sem ter apego. Porque nada é “meu” quando é partilhado. Porque quando se partilha passa a ser “nosso”, “vosso”. Porque o apego é do que se é e não do que se tem. Porque levar o exemplo de cada um ao outro é criar um mundo melhor. Porque aprende quem vê. E dar é muito melhor que guardar. A não ser que se guarde exemplo do que se recebeu.

À Paula Abreu, que eu não conheço, obrigada querida! Obrigada por me lembrar que quem procura os seus, os encontra. E o encontro é uma arte, já dizia o poetinha Vinicius de Moraes.

Vai

Deu medo mesmo, mas eu fui!

Posted on 28 Dezembro, 2015

Há precisamente dois meses embarcava na aventura da minha vida. Atravessar o Atlântico de navio para chegar ao Brasil. Pensava que me ia encontrar. Redescobri-me. Fui com medo, mas fui.

DEU MEDO MESMO, MAS EU FUI!

E percebi que o medo não existe, o medo é a vida a ser vivida. O medo é o desconhecido que evitamos saber. E há um mês chegava. Para nunca mais ser a mesma que era.

Feitos e Acontecimentos vividos intensamente com amor, alegria, serenidade, tristeza, mágoa, dor, já tivera vários ao longo de todo o meu percurso, mas não foram meus, foram teus, nossos, deles.

Agora, que me descobria, queria ser eu. E é aí chega a sensação. O medo.

O medo, que não existe, mas que senti, que sinto, é real e consome-nos a barriga, eriça-nos o pele e levanta-nos todas dúvidas e questões, que numa avalanche, metralham as nossas ideias, porque no fundo, conscientemente, sabemos todas as respostas, apenas precisamos de as confirmar, confirmar mais uma vez.

Parti com medo … a vida que se me apresentava atrevida disposta a encontrar-me …

Eu tenho medo. Claro. Tenho tanto medo de gostar, de gostar muito, de me seduzir, de me viciar, de morrer de amor por esta partida que não tem volta marcada. Porque, depois, mesmo quando chegar, tenho de chegar, outra vez, tudo o que conseguirei pensar será em partir, tenho de partir, de novo.

16 de setembro de 2015*

E cheguei e os pensamentos que me acompanhavam são agora a minha realidade … a liberdade tornou-se um vício e tudo o que quero é partir para me reinventar, me reescrever, para ser eu mesma.

Dirão: está perdida!

Entrega

Empreender a vida mudando a tua mente. Porque o deves fazer? Porque deves olhar para ti com visão de Empreender Vida?

“A liderança é a capacidade de transformar a visão em realidade.”
Warren Bennis

Empreender a Vida é ouvir a nossa voz interior para assumir a liderança do nosso destino.

Através do Coaching que é um processo facilitador da transformação e o do desenvolvimento das pessoal. Sendo um instrumento de mudança que promove a reflexão para apoiar essa transformação de forma ampla e efetiva em sua vida.

Empreender a Vida

MUDANDO A TUA MENTE E ABRINDO O TEU CORAÇÃO!

Empreender a Vida é o pontapé de saída de uma ideia que se transforma num modo de vida. É um estilo de vida, um comportamento, uma atitude.

Empreendedorismo vem do francês e significa: amigo do risco. Por isso penso que empreendedorismo é um estilo de vida, que te oferece liberdade em troca de disciplina, ousadia e trabalho.

Empreendedorismo é o processo no qual se faz algo novo, com o objetivo de gerar riqueza para a sociedade. É uma forma estratégica de contribuir para o crescimento económico e social e por consequência obter sucesso no mercado e na sociedade em geral.

Empreendedorismo tornou-se um estado de espírito, baseado em um conjunto de comportamentos e atitudes que levam as organizações a inovar e evoluir constantemente. Os limites agora são mais amplos e o empreendedor passa a ser qualquer pessoa que atua de forma inovadora, que transforma sonhos em realidades viáveis onde esteja, até mesmo na sua própria vida como protagonista de sua carreira.

Eu lembro-me que desde criança tinha interesse em tantas coisas que não conseguia escolher uma carreira. Na verdade, eu nunca escolhi nenhuma carreira à partida. Eu adequava a minha actividade ao momento que vivia. Tal como hoje.

Concluí pela minha experiência que o que um empreendedor de vida (e de carreira, e de negócios, e de família) precisa é coragem grande, curiosidade grande e arriscar grande.

Um dos desafios de Empreender a Vida (e por consequência de uma carreira, um negócio ou um emprego) é aceitar à partida as dificuldades que vão surgir como uma aprendizagem necessária para se chegar ao sucesso (ou não, e começar de novo!).

Depois gostar muito de trabalhar e por a mão na massa, que é o que faz a grande diferença! É preciso FAZER MUDANÇAS NA TUA MENTE.

O empreendedor cria, recria, planeia, desenvolve, realiza, planeia uma estratégia, estabelece novas maneiras de se relacionar, funda novas estruturas, aprimora e simplifica processos, questiona padrões e crenças de impossibilidade, quebra paradigmas amplamente aceites pela sociedade, e vislumbra novas necessidades nas pessoas. Por isso, é um modo de vida em transformação constante.

Um empreendedor que se conhece, consegue definir que atividades deve realizar, e quais deve delegar. Sabe quais são as suas limitações, mas também as suas habilidades e pontos fortes nos quais se destaca.

Imagine o quão incrível podes ser daqui a um ano se a partir de agora parares de fantasiar sobre uma vida melhor e começares efetivamente a construí-la.

O importante não é Empreender um Negócio e sim a tua Vida.

Empreender é fazer acontecer

NA TUA MENTE E NO TEU CORAÇÃO!

Tem-se descoberto que empreender não é apenas interesse do empresário, ou daqueles que desejam abrir o seu próprio negócio. A sociedade deve discutir o empreendedorismo como uma ferramenta social e económica capaz de trazer competitividade ao país inteiro.

O caso mais evidente é dos EUA, que há anos investe na abertura de novos negócios e na educação empreendedora, principalmente nas áreas de tecnologia, e ao longo do tempo se tornou uma referência em inovação de produtos e serviços. O legado dos Estados Unidos, que investiu massivamente em desenvolvimento humano, iniciou-se com as empresas mais inovadoras do mundo como Microsoft, Apple, Tesla, Google, Amazon, Facebook, Uber e tantas outras que mudaram radicalmente a nossa forma de trabalhar e de pensar o trabalho.

O conhecimento que realmente é capaz de agregar valor é aquele que transforma a vida de quem o adquire.

Em geral, quando as pessoas chegam ao mercado de trabalho e não possuem competências necessárias para encarar a inovação, pois a linha de pensamento dominante no ensino superior é a procura de estabilidade nos cargos que se almeja alcançar. Em suma, falta coragem, autoconfiança, visão, autoconhecimento e competências que são necessárias para empreender. Empreender a Vida (e a Carreira).

Os empreendedores possuem necessidade de realização, motivação, impulso de melhoria, insatisfação, valorização da independência, desejo de superar padrões de excelência. Têm a capacidade emocional para enfrentar adversidades, pois empreender – seja num novo negócio, dentro de uma empresa, ou socialmente, criando novas coisas e aprimorando as existentes – requer uma série de competências que são adquiridas também com as experiências.

É preciso capacitar-se que para exercer o empreendedorismo, muito embora os erros sejam parte das tentativas de sucesso e também façam parte do processo de aprendizagem, implica muita dedicação.

Empreender envolve exposição, medo, resiliência, conhecimento, incertezas, habilidade em lidar com as pessoas e convencê-las a abraçar a sua ideia. Envolve foco, disciplina, vontade, sacrifício e uma série de situações tanto positivas quanto negativas que se permutam.

Quem já ouviu falar das letras associadas aos negócios?

Os quatro “P’s” do Marketing, Os cinco “S’s” da Qualidade, e por adiante.

Quais serão as letras de Empreender a Vida?

Ocorrem-me os três “F’s”:

Foco, Força e Fé e recentemente surgiu-me mais um F (mais à frente digo-vos qual é).
  1. Foco – Sem foco não há empreendimento que funcione.

Ter ideias faz parte da essência humana. É a criatividade! Mas, onde há mil ideias e até inovação, e não há foco, nada acontece. Não há acção. E agir é o verbo!

Focar é preciso para desenvolveremos e cresceremos ordenadamente, sem perder o impacto que queremos causar, quer na nossa vida pessoal e familiar, na nossa carreira, no nosso emprego, no nosso negócio.

  1. Força – Força física, força intelectual e força emocional – todas são de vital importância.

O alinhamento deste triangulo de força é fundamental. É o equilíbrio necessário para estarmos bem. Caso contrário, ficamos fracos, desmotivados e arriscamos a probabilidade de ruptura. Ficar doente, deprimido, ausente, impedir-nos-á de dar continuidade às nossas acções e empreender a nossa vida. Mesmo que haja compromisso das outras partes, a nossa falha ou falta pode desencadear uma série de consequências para a vitalidade do nosso empreendedorismo, seja em que área for. Reserve tempo para o exercício físico. Para cultivar a sua mente lendo. E, sempre, para amar os seus.

  1. Fé – “A fé remove montanhas”, diz a sabedoria popular.

Sim, remove as montanhas internas que criamos e as externas que enfrentamos. A fé, aqui, não está necessariamente relacionada à religião, mas ao mundo da reflexão, da espiritualidade. É fundamental ter tempo para parar e refletir sobre como está a fé em nós mesmos, na nossa família e no nosso empreendimento e/ou carreira. Saber como está o nosso amor próprio.

Para melhor responder as estas questões internas, pare e medite. Bastam cinco minutos por dia. E depois de transformado num hábito, transforma-se também modo de vida. Estar ligado a si mesmo leva-o a saber do seu verdadeiro potencial e por isso a conseguir o que deseja. Não esquecendo de Fazer Acontecer.

  1. Foda-se – Já leu o livro “A Arte Subtil de Saber Dizer que se F***” de Mark Manson

O autor percebeu que podia parar de se importar tanto com algumas coisas, como compromissos desnecessários, dramas familiares e a temida opinião alheia, simplesmente acionando a palavrinha mágica: foda-se. E seguindo em frente, fazendo alguma coisa.

No livro, ele reflecte sobre não desperdiçar tempo, energia e dinheiro com MAIS coisas que não melhoram em nada a nossa vida pessoal. Usar este Ftem muita importância, porque o livro ajuda a confirmar que muitas vezes ativar esta palavra, saber dizer NÃO e querer MENOS coisas é o ponto de partida para ser feliz.

Difícil? Ah, mas quem disse que empreender a vida seria fácil?

“Desvendar o potencial de uma pessoa para ampliar seu próprio desempenho, ajudando-a a aprender ao invés de ensiná-la diretamente.” 

Tim Gallwey, Harvard

Com este workshop pretende-se despertar a consciência do indivíduo para que este assuma a Liderança Pessoal e Profissional da sua vida.

A pergunta essencial é

Qual é o teu sonho?

E a resposta está em cada um.

Porque acreditamos na Missão Pessoal de cada um.

Sim! Tu tens uma Missão.

Programa Empreender a Vida

Definir a Visão dos nossos Valores e Missão

Criar uma estratégia com objectivos e metas prévias

Avaliar a Realidade

A Arte de Comunicar desde o Pensamento à Acção

Planeamento da Acção assumindo um Compromisso

Projectar a Auto-Liderança

Informações e Inscrição

geral@universo7.com

Quando a viagem começa dentro de ti …

LEITURA DE FÉRIAS ….

VAMOS VIAJAR?

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Quando se parte em viagem, um mundo novo aguarda por nós.

Passar a fronteira de um país é como abraçar o desconhecido. É como abraçarmos em nós a nossa diferença certa de que é nossa. É crescer!

Eu adoro ir com destino certo, já sabem, o Brasil! E o Brasil é um mundo dentro de um país!

Ainda assim, com ou sem destino certo,  o mais importante de sair é sermos nós mesmos.

Não vou dar conselhos, quem sou eu, que nunca os ouço!

Sugiro-vos antes alguma reflexão sobre estas 10 dicas, de quem sai de portas para o desconhecido, mesmo que pense que sabe o que vai encontrar.

Aqui vai …Vamos Viajar?

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1 – O inesperado vai acontecer quando menos esperarmos. Aproveitem!

O inesperado é a lembrança quando falamos das nossas viagens. Muitas memórias fazem parte de momentos partilhados inesperadamente, à mesa, num passeio, num museu!

Tenho várias memórias de momentos inesperados. Lembro-me, num Agosto quente, em Barcelona, de terem recomendado um restaurante, lá para os lado de Lloret del Mar.

Pensei que nada me atraía menos que aquela zona balnear, mas arrisquei.

Ao chegar, toalhas de praia de gosto duvidoso, penduradas nas varandas, música techno debitada aos berros e ingleses, ávidos de loucura, escaldados do sol, encharcados de vodka, e dispostos a tudo para viverem o momento sem limites.

Confesso que o desespero tomou conta de mim. A vontade era dar meia volta e fugir dali.

O restaurante, diziam, ficava num mosteiro e era imperdível! Encontramos a placa Sant Pere del Bosc, que nos guiou a caminhos divinos, mas ainda não sabíamos.

Subi, subi, subi sem nada ver que não fossem arbustos secos de uma coutada. De repente, a entrada do mosteiro. Tudo se transfigurou.

O terreno árido e despido dava agora lugar a uma horta viçosa cheia de aromáticas, que se sentiam à passagem, e ao fundo o edifício catalão, de estilo modernista em pedra, outrora local de culto e oração, transformado num aprazível e delicado hotel e restaurante com vistas para o vale.

A refeição em si não me recordo, mas sei que as sensações de prazer e degustação foram intensas, aquele ocaso inesperado, quente como são os fins de tarde no mediterrâneo, que luzia ao fundo, azul e cristalino, foi inesquecível!

Outra vez, numa ida a Itália, num romântico passeio pela Toscana, fui dar a Lucca, mais precisamente à Corte San Lorenzo, no centro, e no rescaldo da leitura do livro Comer, Orar e Amar da Liz Gilbert.

Tinha por destino o restaurante que se situa na casa de Puccini e que serve umas pizzas maravilhosas, mas que naquela segunda-feira de Fevereiro estava fechado.

À chegada, fazia frio, chovia, eu estava acordada desde madrugada, tinha fome e queria sentar-me confortável num local quente e acolhedor.

Desesperada por um consolo, entrei na primeira confeitaria que vi, rogando aos deuses a má sorte. Dirigi-me à sala de almoço, sentei-me e esperei.

Uma nona avantajada, de peso e idade, disse num sorriso largo que já não serviam almoço. Senti-me a desfalecer! “Um minestrone quente.” – isso ela arranjava e umas bruschettas com pommodoro para enganar o estômago. Claro, aceitava qualquer coisa. Estava de coração cheio e barriga vazia!

Quando dei a primeira colherada – tomate, coentros, aipo, pimenta – que pena não saber traduzir o aroma que fumegava daquela taça. Foi um caso de amor, senti cada pedaço do meu corpo a aquecer e a sentir aquela sensação que me tomou ao longo de toda a minha estadia por terras de Baco. Aquele caldo rico em sabores e sentimentos foi a melhor e mais inesperada chegada que podia ter tido em Itália!

Em Florença, ver o David de Miguel Angelo, tornou-se no momento mais gratificante que tive com a arte. A emoção tomou conta de mim! Deixei-me estar a absorver aquele momento, no meio de dezenas e dezenas de turistas da máquina em punho.

Ali percebi o conceito de beleza que se definiu na genialidade de quem cria o perfeito!

Numa das muitas idas ao Alentejo, há mais de dez anos, estava grávida do meu filho António, chovia a potes, e parava na Serra de Ossa, entre Estremoz e o Redondo, para visitar uma tasca recomendada por amigos.

O Chana do Bernardino era uma pequena sala de repasto, com uma pequena equipa familiar composta pelo sr. Bernardino, a mulher, a cunhada, o filho e a nora. Naquele domingo, ao meio dia, ninguém ainda tinha vindo almoçar.

Fugindo da chuva, entramos. O meu compadre à bofetada à filha mais velha que queria entrar com o guarda chuva aberto, enrolando-se nas fitas de borracha colorida, para não molhar o cabelo.

Eu encharcada só pedia um banca para descansar as pernas.

Enfim, com todos dentro, abrigados, e numa algazarra pegada, atrás do balcão, de rodilha na mão, estava a família de olhos esbugalhados, em silêncio e espanto, a apreciar aquela cena surreal. Sem esmorecerem, anunciaram-nos que não havia luz mas com jeitinho e uma boca de campingaz, mais umas velas, tudo se haveria de arranjar. E arranjou.

Dez anos se passaram, e todos os anos lá regressamos, às vezes mais do que uma vez ao ano.

A lengalenga do sr. Bernardino já a conhecemos de cor e salteado. Todos os pratos anunciados num dia sem electricidade são os mesmos que se servem hoje, em nova casa, novas instalações, mas com o saber de sempre!

Mas nem sempre precisei de sair da minha cidade, o Porto, para me surpreender.

Domingo de sol, início da tarde, roupa e calçado confortáveis, pés ao caminho, na companhia de amigos de sempre, seguimos pelo passeio das Fontaínhas, descemos aos Guindais e o descanso foi na Ribeira do Porto.

Felizes e afogueados, paramos na Casa das Iscas, na descida para o cais, pedimos azeitonas curtidas, pataniscas de bacalhau e copos de vinho branco e rimos alto a tarde toda brindando à amizade! Querem-se simples os encontros.

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No Brasil foi fantástico! De um simples almoço em Ilha Grande acabamos num passeio de lancha pela ilha com gente boa, gente improvável, gente como a gente!

E com isto, nos diversos e inesperados momentos da minha vida, sei que o mais importante é recebe-los e aproveita-los!

2 – Com tempo (quase) tudo corre bem. Organizem-se!

Já ouviram falar do TripAdvisorBooking, do Trivago e muitos outros sites que reúnem quase tudo o que é necessário para organizar uma viagem.

Quase porque personalizar uma viagem é muito mais que ter o trabalho, exaustivo e cansativo, de procurar o melhor hotel ou voo ao menor preço! Acreditem, sei do que falo!

Vamos por partes.

À primeira analise, nestes sites de busca orientada torna-se mais fácil o acesso a viajar.

Recorrendo a filtros específicos, conseguimos encontrar o tipo de hotel desejado, com a melhor oferta, sabendo desde logo a disponibilidade das datas, e podendo comparar com outros semelhantes.

Também é possível saber a melhor companhia aérea ou de aluguer de carros ou de comboios para chegar mais rápido e mais barato ao nosso destino.

E é aqui que o tempo está a nosso favor … reservar passagens aéreas com alguns meses de antecedência, ou mesmo lugares de comboio, pode nos fazer economizar centenas de euros; reservar bilhetes conjunto de vários museus também evitará filas aborrecidas e cansativas e pouparemos para o lanche nos agradáveis salões de chá que quase todos os espaços culturais têm.

Mas uma viagem bem sucedida, é muito, muito mais que fazer marcações atempadas.

Nestas marcações pode-se resolver à partida duas das questões principais numa viagem: como ir e onde ficar.

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Esta é a segunda parte: não oferece garantia de nada mais pois o melhor de uma partida acontece depois de se lá chegar! E aí, por mais, écrans coloridos e apetecíveis, por mais listas dos melhores e dos piores, a verdade é que é preciso conhecer.

Ter lá estado!

Para quem, como eu, que adoro pesquisar, aprofundar, estudar, criar soluções, marcar, telefonar, enfim … organizar uma viagem é uma das etapas que mais gozo me dá! Mas eu estive, vi, vivi, leio, falo, conheço ao vivo.

Quando quiserem ir ao Brasil, já sabem, venham comigo!

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3 – Viajar sozinho é a melhor experiência que se pode ter. Atrevam-se!

Sobre viajar sozinho ou sozinha eu só tenho um coisa a dizer: vão!

Dá medo. Dá muito medo. São borboletas, pássaros a chilrear, cães a ladrar. Na sua cabeça o alerta vai conhecer níveis nunca experimentamos. Sabe porquê? Porque vai só consigo mesmo!

É ou não é uma loucura? Aliás, todos, desde a sua mãe ao seu melhor amigo e o patrão e a irmã, todos vão achar que é mesmo uma loucura. Que está doido! Não acredite. Não sabem do que falam!

Mas deixe lembrar que vai ficar mais caro, vai ver menos o que todos veem, que vai ter vergonha, que se vai sentir só, que vai duvidar, que vai querer partilhar aquele pôr do sol.

E? Vá na mesma!

VIAGENS DA HELENA

Porque também vai ficar a conhecer o improvável. Vai ter liberdade de escolha (inclui ficar a dormir até ao meio dia ou virar a noite inteira a dançar com alguém desconhecido). Vai perceber a verdadeira empatia em todo o lado (porque acreditem, em todo o mundo o ser humano é bom). Vai pôr as ideias em ordem ou quem sabe descobrir novos pontos de vistas.

E, sim, as fotografias vão ser quase todas mais uma selfie! Mas é bom, de vez em quando, olhar para dentro e ver quem somos!

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4 – Quem confia, é confiável … e, por aí vai, toda a amizade que se fizer vinda do nada. Confiem!

Eu acredito no Ser Humano… Ponto. No conforto de um olhar, num abraço honesto, numa risada partilhada. E nas minhas viagens, longe da ambição de criar amizades para a vida, fico-me pela humildade dos momentos. E esses quero-os vividos intensos e eternos, ali, enquanto duram (esta inspiração tem dono e todos o conhecem!).

Mas antes de partir, há aquele primeiro passo do que nos obriga a muita pesquisa.

E hoje, o mundo da internet é um universo sem limites, onde o conhecimento flui de forma gratuita e imediata, onde encontrei inspiração, organização e gente confiável!

Eu utilizo a internet para ver o que não vi, para ouvir o que não ouvi, para ler o que não li.

É o meu regresso ao passado que se faz presente e me inspira, me faz feliz e me motiva a concretizar os meus sonhos!

Sabiam que a internet um dia foi um sonho impossível? Hoje é a minha, a tua, a nossa realidade. E eu confio na internet. Não cegamente, claro. Mas nada do que sou (somos) seria da maneira que é sem esta rede que nos apanhou!

Na internet, virtualmente, conheci pessoas que estimo … que me abrem horizontes, que ensinam as suas experiências, que me permitem viajar sem sair do sofá … e hoje o virtual sai do lado de lá do computador, como outras vezes  com o Filipe Morato Gomes do Alma de Viajante ou com a fotografa Isabel Saldanha, e leva-me a confiar na empatia de quem se cruza no meu caminho … vou passear pela vida com a Joana Batista do Viajar em Família.

A vida tem me provado que confiar é sempre a melhor estratégia, e mesmo com prova em contrário, respirar fundo, renovar a esperança e de novo confiar!

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5 – O seguro morreu de velho precaver é a melhor atitude e o melhor investimento. 

Protejam-se!

Quinze dias antes de partir, antes da minha grande viagem, as borboletas começaram a fazer festas diárias e prolongadas na minha barriga.

Lembrei-me de um conselho unânime em todos os blogues que li: viajar com seguro sempre!

Aconselharam-me a World Nomads, uma companhia de seguros com grande experiência em viagens e viajantes.

Subscrevi um seguro de viagens desde o início da viagem e prolonguei a 10 dias após do fim previsto, com uma cobertura abrangente de assistência médica e odontológica, seguro de bagagem, cancelamento de viagem, assistência jurídica, repatriação, seguro de vida e até (pasme-se) a cobertura de algum contratempo com o nossa família que nos obrigue a regressar de imediato.

Não foi, nem é barato.

Numa viagem somam-se parcelas a toda a hora por isso qualquer valor tem de ser ponderado. Neste caso, trata-se de um gasto inteligente.

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6 – Acho importante saber o tipo de viajante que somos

Eu, de forma honesta, sei que não sou mochileira, nem campista, nem motoqueira. Sou mais … olha, nem sei!

Depende! Adoro uma tasca de bancos corridos, umas tapas para trincar e um velho ancião para conversar. E depois gosto de subir, durante duas horas, o Trilho dos Dois Irmãos. E de estar meia hora sentada a olhar para o Cristo Redentor. Ah! E também gosto de comer acarajé no meio da praia lá na Bahia.

Não me defino em tipos, tento apenas fazer o que gosto.

A simplicidade das palavras, dos lugares, dos momentos, a pureza dos sabores, dos aromas, dos valores preenchem-me e acrescentam-me em cada detalhe. Mas os artifícios e a sofisticação também me agradam. Duram pouco tempo, mas fascinam-me e, por isso, são tão especiais!

Ter o privilégio de partilhar a vida, a sabedoria e a humildade das gentes é antes de tudo uma necessidade.

Seja com no banco do jardim ou no salão do palácio.

Depois a observação do mundo que me rodeia é o que mais gosto de fazer. Não desejo colecionar visitas a museus, à excepção dos que para mim são obrigatórios.

Não me satisfaz perder o meu tempo a fotografar incessantemente com medo de perder pitada, quando tudo o que quero é sentir, é gravar no olhar o que vejo, é imaginar as vidas por trás das paredes das casas de janelas abertas, dos rostos sorridentes sentados na relva do jardim.

Cabe em mim o belo, o sofisticado, o raro, o luxuoso até o opulento. Mas simples na origem. É assim que eu sou. De extrema simplicidade!

VIAGENS DA HELENA

Por isso não deixo de ir ao Copacabana Palace se no Rio de Janeiro estiver! Conheçam-se!

E não me engano, sou feliz na pensão do Café Alentejano em Estremoz ou a perder-me num beco de Sevilha, pois sei que cada viagem, e tantas formas de viajar existem, aprendo e cresço, com o melhor que tem para me dar.

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Para mim, o importante é sermos felizes nestes momentos que se tornam únicos, naquela hora, naquele contexto.

7 – Orçamento versus Prioridades, quer isto dizer, convém saber quanto se vai gastar mas principalmente onde se vai fazê-lo. Optem e façam!

A primeira grande extravagância que decidi fazer foi chegar ao Brasil de navio … nove dias, de sol e alegria, numa cabine exclusiva, com um serviço de excelência e ainda direito a uma massagem exfoliante maravilhosa e uma manicure oriental ultra relaxante.  O valor? A surpresa mais agradável desta imensa viagem!

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Casa Museu Jorge Amado, o meu xodô em Salvador. Há quem se limite a tirar a fotografia da praxe no Pelourinho sem entrar. Não sabem o que perdem!

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Simples comida de boteco com uma água de coco para refrescar. Barato e genuíno, com bónus para a da Baia de Todos os Santos!

O ex-libris, o brunch de domingo, na piscina do Copacabana Palace, onde hóspedes e cariocas se cruzam e desfrutam de uma tarde de requinte e tranquilidade. Excelência de produtos, de cozinha, de serviço e de espumante. Uma experiência a não perder.

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Voar nos céus do Rio de Janeiro é a certeza de se ficar a saber porque os passarinhos cantam e são tão felizes … é barato? Não, mas é obrigatório!

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E depois dizem que Deus é brasileiro e quem pode duvidar. O pôr do sol no Arpoado com o Morro dos Dois Irmãos ao fundo … é beleza demais! E a natureza ainda é de todos sem custar um cêntimo …

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Claro que passear por Ipanema é um clássico mas ter um pagode improvisado com samba no pé … ah, isso é muita sorte! E gratuito! Foi só na simpatia e no sorriso.

E depois rir, sorrir e aproveitar ao máximo!

8 – A pressa é inimiga da boa experiência. Relaxe!

Mais tempo para ver, menos correria para conhecer ou mesmo não fazer nada.

Eu adoro bater perna numa cidade.

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Conhecer os pontos bem guardados por quem lá vive, deslumbrar-me com os monumentos, imagem guardada na mente de quem lá vai ou deseja ir, sentar-me na esplanada bem posicionada da praça a ver as gentes passar.

Depois gosto também de não fazer nada.

Aqui em cima estava a norte e contemplava o oceano, mas lembro-me há uns anos, num agosto quentíssimo, numa férias de família com  três miúdos dos 6 aos 12, de fazer uma viagem pelas estradas alentejanas ficando nas Pousadas de Portugal, entre castelos e paços reais.

Fiquei na Pousada Castelo do Alvito, o calor apertava, rondando os 40º, os miúdos já tinham tido a sua quota de água e o sol não permitia mais exposição, foram almoçar e dar um passeio a tarde toda … e eu não … eu fiquei na piscina … podem não creditar … mas com uma sandwich club, um sumo de fruta cheio de gelo e muita água, junto com o meu livro da altura, Madrugada Suja, do Miguel Sousa Tavares, que me prende sempre do início ao fim, fazendo-me desejar ser protagonista das suas narrativas,

Fizeram daquela tarde uma verdadeira homenagem ao ócio … refrescava-me com banhos demorados, secava-me à sombra, lia página após página, começava a ouvir as cigarras com o fim da tarde a chegar e assim guardei até hoje esta lembrança … de nada fazer para além do que me deu prazer, em silêncio, só, a desfrutar

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Mas depois também, chegada a Salvador, parada nas pedras sujas e gastas (como as do meu Porto) do Pelourinho, olhei a Casa Museu de Jorge Amado, onde tantas vezes sonhei estar, entrei e perdi-me uma manhã inteira em curiosidades, manuscritos, fotografias .Perdi-me em Jorge Amado, nas suas mulheres de Tereza Batista, a Gabriela – cravo e canela, a Dona Flôr e a Tieta do Agreste.

E deixei-me estar.

Confortada por chegar a casa onde sonhei tanto, às páginas desfolhadas, anotadas, dobradas, acariciadas. Para tudo deixo-me sempre o direito de ter tempo, o meu tempo!

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E relaxo!

9 – Ser turista (cafona) ou Viajante (cheio de pinta)?

Os dois, é claro! Quanto mais deslumbrado, mais turista. Quanto mais observador, mais viajante.

Quero só ver a cara de todo aquele que sobe pela primeira vez ao Cristo Rei, no Rio de Janeiro, e não ser o mais turista que existe com tamanha beleza?

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Mas, com uma cerveja na mão, gelada de preferência, sentado na pedra do Arpoador, a ver aquele espectáculo de pôr de sol, qualquer um é carioca, né não cara?

Ouvi dizer que ser viajante é um chamamento que nasce no nosso interior e que não nos larga. Acredito! Eu não sou uma viajante.

Preciso das minhas coisas (ainda). Estou a aprender a largar. Preciso de uma cama com lençóis lavados e uma vista a perder alcance, preciso de comer quando tenho vontade e de beber o vinho certo, preciso de me perder num museu, preciso de me encontrar num banco de jardim.

É, ainda me falta muito para esse espirito solto e livre que parte sem olhar para trás!

Ou não. Sê tu mesmo!

10 – Por fim, faça as malas, parta e vá!

10 dicas estão de bom tamanho!

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Agora ficam na ideia as questões: onde ir, quando ir e onde ir?

Talvez as três questões existencialistas que martelam a cabeça de todo o inquieto que quer partir.

Venha Comigo, se quiser ir ao Brasil!

Se nunca pensou nisso, aproveite, vai ser a viagem da sua vida!

Se não quer nem ouvir falar, desafie-se! Venha e conte, depois de ter vivido, o que não lhe agradou (se for possível!).

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Eu parto em breve. Não vou só. Levo comigo quem nunca saiu de casa sozinho.